VEJA E OUÇA A DEFESA FERVOROSA DO SEGUIMENTO GLS GLBT GLBTT NA VOZ TROVEJANTE DO AMIGO BOCA ABERTA

Loading...
Mande suas críticas e sugestões
amigobocaaberta@gmail.com

quarta-feira, 14 de março de 2012

Invadimos os ensaios do musical Priscilla e constatamos: será o mais gay de todos os tempos


No dia 17 de março deste ano de 2012 o mundo dos musicais no Brasil vai de uma vez por todas sair do armário com os figurinos brilhantes e super pintosos de “Priscila, a Rainha do Deserto”, versão tupiniquim do sucesso que já foi parar até nos cinemas e que teve aqui no Brasil direção do staff do espetáculo original, da Austrália. Para quem acha que é tudo purpurina e caras e bocas na produção está enganado: o quarteto australiano é o responsável por fazer com que o elenco brasileiro não dê um passo errado fora do script - e sue muito, o tempo todo.

Formos acompanhar uma tarde de ensaios do elenco no teatro do Instituo Tomie Ohtake, em São Paulo, para conferir de perto pencas de homens ainda barbados e de coxas grossas andando para lá e para cá de saltos-altos e treinando sem parar números que vão deixar a maioria das drags brasileiras de queixo caído, e com uma pontinha de inveja, ao verem fechações como “Material Girl”, da Madonna, e “Dancin’ Days”, das Frenéticas.

Mas até mesmo o carão e a pinta aqui seguem uma linha rígida de técnica, nada é gratuito. André Torquato, por exemplo, que encabeça a material girl, faz, refaz e desfaz a cena muitas e suadas vezes para arrancar um quase sem tom “cool” (legal) do coreógrafo Andrew Hallsworth, que não deixa de se derreter em elogios ao remelexo característico dos artistas brasileiros. “Em outras cidades como Nova York e Londres têm dançarinos mais treinados quando você fala sobre técnica, mas isso não significa que eles são melhores”, conta.

Segundo o diretor do musical, Simon Phillips, conta com exclusividade à Junior, a versão brasileira vai seguir bem à risca a original, com o texto traduzido (e não interpretado) para o português. Ainda segundo ele, apenas um acréscimo em um dos vários números foi feito para fluir melhor a história de três drag queens que cruzam o deserto em um ônibus muito pintoso para que uma delas, Tick (Luciano Andrey), possa reencontrar o filho que teve – e que deixou de lado para ser quem realmente é.

No tom
Uma das maiores preocupações do elenco é com o tom dado às personagens trans, que são a maioria a ocupar o palco que tem um sapato de salto-alto todo purpurinado ao meio. “Acho que o maior medo foi o de cair numa caricatura, num estereotipo. É mais fácil lidar com estereótipos, até porque a plateia tem identificação imediata, acha divertido e mais fácil de lidar com a bichinha engraçada do que com o cara que tem conflitos, que não tem trejeitos. O Tick é mais ou menos assim, você não consegue ler o personagem logo de cara”, conta Luciano.

Recém-saído de outra peça gay, a comédia “Mambo Italiano”, onde vivia um homossexual que se assume para a família, ele acredita que “se realmente existe uma semelhança entre os dois personagens é que, de um jeito ou de outro, ambos foram corajosos o suficiente pra assumir quem realmente eram”. Ele conta ainda que para fazer o papel de uma drag com propriedade foi buscar referências no filme do próprio musical, no reality “Ru Paul’s Drag Race” e “assisti o ‘Dzi Croquetes’, que é nacional, e acho do caralho, e por fim alguns filmes de ícones femininos, Marylin, Audrey Hepburn”.

Luciano divide o palco com mais 26 atores que vão usar nada menos do que 500 figurinos e 300 perucas. Completam o trio de fofas ainda André Torquatto (Felicia) e Rubens Gabira, que não deixa de minutos antes do início do ensaio de colocar em sua cabeça um turbante para entrar no personagem pra valer. O elenco traz ainda Saulo Vasconcelos no papel do mecânico bofe Bob, que se apaixona por Bernadete.

Com coxas grossas masculinas apertando as roupas para lá de chamativas, Priscilla, que já é um clássico gay por si só, promete ser o musical mais pintoso e cheio de babado que o Brasil já viu desde os transgressores bailarinos do Dzi Croquettes. Ainda mais gay do que “Cabaret”, com Cláudia Raia, e “A Gaiola das Loucas”, com Miguel Falabella e Diogo Vilela. Super assumido e sem vergonha, como a gente gosta.

“Priscilla, a Rainha do Deserto” – estreia 17 de março
Teatro Bradesco: Shopping Bourbon São Paulo - Rua Turiassu - Piso Perdizes, 2100 - Perdizes
www.musicalpriscilla.com.br
Ingressos pelo www.ingressorapido.com.br

cultura gls

Nenhum comentário: