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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Ator e jornalista lista as 10 melhores peças de 2011



Jornalista e ator, Rodolfo Lima está sempre conferindo o que rola nos palcos dos teatros para escrever aqui para o Mix e te indicar boas peças de teatro com uma visão apurada e muitas vezes ácida. Ele acaba de fazer uma retrospectiva 2011 do que de melhor viu no teatro e lista as 10 melhores produções que estiveram em cartaz no ano passado. “Curiosamente, das 10 peças que listei como as melhores de 2011, nove tem conteúdo LGBT”, observa. Confira a lista de Rodolfo e suas impressões:10 – O Menino TeresaQuer iniciar eu filho nas questões de gênero? O que é ser menino? O que é ser menina? O que é ser os dois num só. Pois bem, corra para ver “O menino Teresa”. A peça é sutil, pontual e lúdica, transpassa por questões complicadas de ser explicada e agrada adulto e crianças. É um achado no meio de tanta mediocridade e infantilidade nos palcos da cidade.9 – CabaretOk, vamos nos render ao musical. “Evita” foi o musical que me emocionou, é fato. Mas Cabaret me hipnotizou. Impossível resistir a Claudia Raia, aos corpos dos bailarinos, as provocações da encenação. Sim, deixemos o preconceito de lado e encaremos que o teatro pode ser um entretenimento de qualidade. Nada de pensar na vida, na politicagem, nos problemas do seu humano. “Bora” gozar pelos lábios alheio, bora ser voyeur.8 – Os AltruístasOlha o Nick Silver ai de novo. A personagem principal interpretada por Mariana Ximenez ficou em segundo plano diante da força do personagem gay, seu irmão na trama. As questões do irmão, sua solidão, seu desmedido desespero, suas afetações e seu desequilíbrio são os nossos. Sim, todos nós temos um cú aparentemente hostil, camuflando tudo o que há por trás, toda a merda – que literalmente guardamos. Silver potencializa nesse personagem toda a sua crítica as relações, as aparências, aos modismos.7 – Orfeu MestiçoA arte de Claudia Schapira não é o tipo de teatro que me atrai. Não sou da mesma banda que se expressa politicamente como sua trupe, mas sempre confiro seus trabalhos, prestigio sua arte, suas escolhas, sua forma de ver o mundo. Orfeu Mestiço é de longe seu melhor trabalho, uni qualidade técnica, atuações pontuais, há protesto, há beleza, há provações, há reflexões. E como se a peça pele fosse dissecada aos poucos, fragmento por fragmento. Além de trazer uma Roberta Estrela D’alva, impagável.6 – As três velhasDanilo Grangheia é tão deliciosamente debochado que é quase impossível resistir a sua personagem em As três velhas. Tudo ali é tão atraente que podemos questionar: opa, onde mora o belo mesmo? A história das irmãs decadentes com uma mãe decrépita, resultou numa encenação engraçada, triste, irônica. Não há nada, apenas bons atores, uma história instigante e boas atuações. É o melhor momento de Luciano Chirolli.5 – Fragmentos do desejoAliar qualidade técnica, beleza, e ainda questionar o público e tarefa para poucos, pois “Fragmentos do desejo” é tudo isso e muito mais. Traz a cena as questões da sexualidade, da relação pai x filho, da solidão dos artistas da noite, da procura pelo amor, da arte, de forma impagável. Os Andrés responsáveis pela montagem, não ficam devendo para nenhum artista. E transformam seus fragmentos do desejo numa ode ao outro, a beleza do outro, as suas funduras.4 – PterodátilosNanini é meu ator preferido. Adoro como imprime suas características nos personagens, como se camufla neles, como não tem medo do ridículo. Nick Silver é daqueles autores que tenho vontade de devorar toda a obra, me reconheço em seu deboche, em sua descrença, em sua ironia cortante, afetuosa e provocativa. A garota de 15 anos protagonista por Nanini é o que há na peça. Alie a isso Mariana Lima, (sou fã confesso), a direção de Felipe Hirsch, o cenário, Felipe Abib, pronto, Pterodátilos é um soco no estômago. E Emma é um dos melhores momentos de Nanini, inesquecível.3 – Diário BaldioSim, pode se falar de homossexualidade/travestis e afins, sem que isso esbarre nas questões problemáticas de gênero e do preconceito. O trabalho dos artistas de Campinas coloriram os olhos e as subjetividades do público com Lady e Cotoco – eficientemente defendida pelos atores. Um raríssimo momento onde vemos uma pessoa que não aceita seu próprio corpo ser vista como uma igual. Simplesmente imperdível.2 – Luiz Antonio – GabrielaA peça que narra um episódio real da vida de Nelson Baskerville é um raro momento que uniu criatividade, empatia, o fenômeno do boca a boca e preços acessíveis. A peça resultou num trabalho criativo, emocionante e potencializador de emoções. Não é tão singelo como pareceu no começo. “Luiz Antonio-Gabriela” entrou para o imaginário de que não a conheceu e fez bonito ao retratar as questões da sexualidade da personagem. Um momento impar nas questões LGBTTT.1 – Gardenia (Les Ballets C de La B)Nada me chamou tanto a atenção esse ano, como esse espetáculo de dança teatro. Além da questões de gênero trabalhada de forma pungente, de unir de forma lúdica, instigante e questionadora questões como velhice/marginalidade/travestimento/transexualidade mostrou que sim, o tempo cênico pode ser dilatado e ser transformado num belíssimo holograma de imagens, causando sensações e ativando memórias. Aliado com “Viver sem tempos mortos”, são trabalhos referenciais e obrigatórios para o meu trabalho.


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