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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Casal de professoras conta delícias e dissabores do cotidiano lésbico



Pela manhã, minha filha me deu bom dia e me convidou para irmos ao encontro da mãe dela, que já nos chamava. No quarto do casal, dessa vez ao invés de bonecas, Leila Linda nos levou com suas mãozinhas cheias muitos carrinhos, e brincamos um pouco, fazendo a cama de pista de corrida. Fui para a sala, com a TV do quarto exibindo clipe da Katy Perry (a jovem que canta “eu beijei uma mulher e gostei”). Ao chegar à sala, para tomar café da manhã, minha companheira saudou, com um beijo, a foto de Clarice Lispector – que está na parede – e colocou para tocar o CD da Madonna (que não troca de namorada, embora troque por vezes de marido).Depois, conversamos com Sueli, nossa querida funcionária, sobre o desejo de ter outra bebê (ou seria, dessa vez, outro, pois menino?) – já que a nossa está linda, feliz e crescendo rapidamente, como tem que ser. Daniela ficaria grávida – dessa vez comigo, de mim, do nosso amor e com sêmem de um doador anônimo (nossa primeira linda filha vem do casamento anterior de minha companheira, com um homem). Marcília, a babá, apenas ouvia; com um mês de trabalho não mostra mais feição de surpresa diante do cotidiano de um casal de lésbicas (Sueli, por sua vez, já nos confidenciou sua preferência em trabalhar em casas como a nossa, uma família bastante comum, cujo casal é de mulheres). Bom, assim começou o nosso 19 de agosto, com cenas do dia-a-dia de uma família feliz e nem um pouco modelo Doriana. Ao refletir sobre isso, lembramos de artigo do deputado federal Jean Wyllys, publicado na Folha de S.Paulo, no dia 31 de julho. Ele escreve que o casamento gay não terá mais esse nome; chamará apenas "casamento"; isso porque, da mesma forma como o casamento inter-racial hoje é simplesmente casamento, em breve o mesmo vai ocorrer com o casamento de pessoas do mesmo sexo. Enquanto isso não ocorre, precisamos de políticas públicas, kit contra a homofobia e Dia da Visibilidade Lésbica. Este é comemorado em 29 de agosto. Em 29 de agosto de 1996, mais de cem participantes de quase todos os Estados do Brasil fizeram o I Senale - Seminário Nacional de Lésbicas; no evento, definiu-se uma data para a comemoração da visibilidade lésbica, o 29 de agosto. Antes disso, o mês de agosto já era lembrado como do orgulho lésbico em função de uma manifestação ocorrida no Ferro's Bar, em São Paulo, na década de 80, no dia 19 de agosto, como publicado na revista “Um Outro Olhar”, de outubro de 2000. Nossa querida criança foi para a escola. E nós fomos trabalhar – corpo e mente – com visibilidade e orgulho, refletindo e colocando lesbianidade e amor em pauta por dois motivos: para colaborar com a construção de uma sociedade plena de igualdade entre todas e todos e, também, porque a gente nem sabe mesmo viver de outro jeito...*Cláudia Lahni e Daniela Auad são casadas. Ambas são feministas e professoras de universidades federais.


cio

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